Foto: Magnific.com
Principal evento de tecnologia do setor financeiro mostra soluções que podem reduzir tarefas no financeiro, automatizar compras e mudar a relação com o cliente.
Automatizar pagamentos a fornecedores, deixar uma inteligência artificial contratar serviços e pagar apenas com a palma da mão. Tecnologias apresentadas no Febraban Tech 2026 mostram mudanças que já começam a chegar às empresas — e outras que ainda estão a caminho.
Realizado em agosto, em São Paulo, o Febraban Tech é o principal encontro de tecnologia e inovação do setor financeiro no país. Promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), reúne bancos, empresas de meios de pagamento e companhias de tecnologia para apresentar e discutir novos produtos, serviços e tendências.
Pagamentos B2B: menos trabalho no financeiro
Produtos químicos, peças, equipamentos de proteção individual (EPIs), embalagens e manutenção podem gerar dezenas ou centenas de pagamentos em uma lavanderia industrial. Parte desse trabalho ainda envolve lançar dados no sistema, acessar o banco, fazer o pagamento e depois registrar a baixa.
No Febraban Tech, a Mastercard mostrou, ao lado de Oracle e Bradesco, uma solução que integra cartões virtuais diretamente aos sistemas de gestão das empresas. Uma compra de produtos químicos aprovada no sistema, por exemplo, pode seguir para pagamento sem que alguém precise lançar novamente os dados no internet banking.
Para lavanderias industriais e redes com muitos fornecedores, a redução de trabalho administrativo pode ser relevante. A adoção depende da compatibilidade entre o sistema de gestão, o banco e a solução de pagamento.
O custo de implantação não foi divulgado no evento. Para avaliar se vale a pena, é preciso comparar o preço da integração com o tempo que a equipe gasta hoje para executar e conferir os pagamentos. Empresas interessadas podem começar pelo fornecedor do sistema de gestão ou pelo banco para verificar compatibilidade e custos.
Agentes de IA: da pesquisa à compra
A inteligência artificial já consegue pesquisar produtos e serviços e comparar opções. Os agentes de IA vão além: são sistemas capazes de executar tarefas em nome do usuário, dentro das condições estabelecidas por ele.
Hoje, um consumidor pode pedir à IA que encontre uma lavanderia próxima, compare preços ou procure quem faça coleta e entrega. Depois disso, ele ainda precisa escolher a empresa, contratar o serviço e pagar.
O Agent Pay, apresentado pela Mastercard no Febraban Tech, acrescenta essas etapas. Trazendo a tecnologia para uma situação de lavanderia, um cliente poderia informar que precisa lavar dois edredons, gastar até R$ 180 e receber as peças até sexta-feira. O agente procuraria as opções e, dentro dos limites autorizados, poderia escolher a lavanderia, contratar o serviço e fazer o pagamento.
Se agentes de IA passarem a intermediar compras, uma lavanderia com informações incompletas na internet pode nem aparecer entre as opções. Serviços, preços quando divulgados, prazos, coleta e entrega precisam estar claros e atualizados.
Nas lavanderias industriais, agentes também poderão atuar nas compras, pesquisando fornecedores e executando contratações dentro das regras definidas pela empresa.
O Agent Pay ainda está em fase inicial de adoção comercial, embora a Mastercard já tenha realizado transações com agentes de IA em ambientes controlados na América Latina. Por enquanto, o cuidado é manter claras e atualizadas as informações que clientes — e esses sistemas — usam para encontrar e comparar lavanderias.
Biometria palmar: pagar sem cartão ou celular
Pagar aproximando a palma da mão de um leitor foi outra tecnologia demonstrada no Febraban Tech. O equipamento identifica o usuário pelo padrão das veias e associa essa identificação a uma forma de pagamento cadastrada.
A solução é da BioStation, empresa especializada em biometria, em parceria com a Softnex, que atua com infraestrutura de pagamentos. A tecnologia está inicialmente direcionada a ambientes com redes próprias de pagamento, como grandes varejistas, universidades e resorts.
Para as lavanderias, uma possível aplicação está no autosserviço. Se a tecnologia chegar ao setor e puder ser integrada às máquinas, a mesma identificação poderia reconhecer o cliente e associar a cobrança ao uso da lavadora ou secadora.
Ainda não há preço divulgado nem previsão de chegada às lavanderias. Para uma operação self-service, a tecnologia só terá vantagem sobre cartão, aplicativo ou outros sistemas de liberação quando houver uma solução integrada às máquinas e for possível comparar custo e facilidade de uso. Para as lavanderias, a decisão continua passando por uma conta simples: quanto a tecnologia custa, quanto trabalho elimina e se torna a experiência do cliente mais fácil. O Febraban Tech mostrou que as ferramentas estão mudando; o momento de adotá-las, porém, será diferente para cada operação.



